Com disponibilidade gradual, o que significa que, talvez, ainda existam usuários do Facebook com o layout antigo, o novo bate-papo, anunciado junto com a vídeo chamada, já chegou aos perfis da maioria.
No meu, ele apareceu anteontem. Desde então observei o comportamento da lista de contatos, as opções e a usabilidade de modo geral. Agora, compartilho minhas impressões e o convido a discuti-las nos comentários. Vamos lá?
O que há de novo no bate-papo do Facebook?
Existem algumas diferenças bem dramáticas nesse novo desenho. A primeira é que, em vez de uma lista flutuante, quase um “popup”, agora a lista de contatos é fixa no lado direito da página.

Bate-papo do Facebook com layout novo.
Exceção acontece quando a área visível da página é menor que ~1230 pixels na horizontal. Abaixo desse valor, volta o comportamento antigo, de “popup”; outras peculiaridades do novo layout, como a quantidade limitada de contatos exibidos, permanecem.
Contatos contados: comodidade ou “filter bubble”?
Essa, aliás, é a outra mudança. Antes, a lista de contatos exibia todos os contatos. No novo desenho, ela limita a exibição deles, mostrando apenas a quantidade que cabe na vertical. O Facebook alega que os amigos mostrados ali são aqueles com quem temos mais contato, teoricamente facilitando encontrá-los — em vez de correr pela lista ou utilizar a busca, eles ficam sempre à mão.
A crítica acerca desse comportamento é que isso “afunila” nossas relações dentro da rede. Para o Facebook, é ótimo: força interações com quem temos mais intimidade, o que tende a aumentar o tempo de permanência no site, uma importante métrica para a comercialização de anúncios e fidelização dos usuários. Para nós…
Existe estudos interessantes sobre esse fenômeno, chamado “Filter Bubble” (algo como “Bolha de Filtro”, no inglês). Esse termo se refere à personalização compulsória do que consumimos na Internet, coisa que praticamente todo site grande, do Facebook ao Google, faz. A longo prazo, a bolha de filtro nos torna menos questionadores e menos suscetíveis a opiniões contrárias às nossas, o que, em última instância, limita nosso crescimento enquanto seres humanos e, numa visão mais ampla, enquanto sociedade.
Parece um discurso muito pesado para um simples bate-papo, mas essa mudança é uma das mais visíveis para o usuário final. Além disso, é o conjunto de pequenas intervenções algorítmicas como essa que criam a grande bolha de filtro.
Mudanças estéticas e na usabilidade

Novo menu de opções do bate-papo do Facebook.
Questões morais-evolutivas à parte, outros elementos do bate-papo receberam um tapa no visual e ficaram mais simples de gerenciar. Além dos contatos, sobraram apenas o campo de pesquisa (por onde podemos encontrar e iniciar conversas com amigos que não figuram na lista principal) e um botão de engrenagem, para as opções do bate-papo.
As opções se limitam a duas: disponível ou não, que equivale a se desconectar do bate-papo; e sons, que ativa/desativa o barulho que notifica novas mensagens.
Existem ainda outras duas opções na sequência. Ao clicar em “Limitar disponibilidade…”, podemos marcar listas de amigos para as quais ficaremos indisponíveis, ou vice-versa — ficar indisponível para todos, exceto alguma(s) lista(s) de amigos. No modelo antigo, isso era feito através de minúsculos botões dentro da própria lista. Nesse aspecto, o modelo novo é mais fácil, inteligível e condescendente com o padrão estético-funcional do Facebook.

Escolha quais listas de amigos o verão online ou não no bate-papo.
A última opção oculta a lista de amigos, deixando-a de uma forma parecida com o modelo antigo: apenas um botão no canto inferior direito da página. Mas não se engane: ao clicar nele a lista de amigos volta a “grudar” na lateral do site.
Conclusão
Fico, pois, dividido: por um lado gostei do novo desenho do bate-papo. A lista de contatos acoplada na lateral aproveita a popularidade dos monitores widescreen, maiores na horizontal, para deixá-la sempre à mostra. As opções simplificadas também agradam muito.
Por outro lado, a questão da filtragem de contatos a serem exibidos preocupa. Personalização na web é uma faca de dois gumes, uma queda de braço entre comodidade e manipulação. Preferia ter a opção de reverter isso — coisa que, a propósito, o Google+ permite…